segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Seminário dá início às atividades de grupo de profissionais de sustentabilidade

143 pessoas estiveram presentes no campus da Vila Mariana da faculdade ESPM (SP) para a realização do seminário que marcou o início das atividades da recém-formada Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, no dia 21 de fevereiro. Um dos objetivos do grupo é representar formalmente os profissionais que atuam no campo da sustentabilidade. Para tanto, estão previstas diversas ações para 2011, dentre as quais se destaca uma pesquisa para mapear o perfil de quem atua nesse mercado. O encontro teve uma roda de debates composta por: Martin Bernard, sócio da Amrop Panelli Motta Cabrera, e Maria Luiza Pinto, diretora executiva de desenvolvimento sustentável do banco Santander, mediada pela jornalista especializada da revista Exame Ana Luiza Herzog.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Informação ou maquiagem?

Cada vez mais em supermercados, lojas de conveniência e outros pontos de consumo, é possível encontrar produtos com mensagens ambientais positivas associadas a eles. Mas serão essas mensagens coerentes com as práticas industriais, logísticas, operacionais e sociais das empresas? Serão elas verdadeiras?

No intuito de desvendar tais questões, o instituto de pesquisas Market Anylises fez um levantamento de publicidades veiculadas nas revistas Veja e Exame. De 2009 para 2010, houve um crescimento, de 135 para 168 anúncios, que abordavam Responsabilidade Sócio Empresarial.

Também foi realizada uma pesquisa em 15 grandes estabelecimentos, que incluiu: farmácias (2), supermercados, (2) livrarias (2), multicategorias (4), utilitários domésticos (2), brinquedos (1) e vestuário (2).

Em síntese, trata-se de uma análise que se propôs a identificar até que ponto as informações contidas nos produtos não seriam somente greenwashing. Em outras palavras: uma maquiagem verde, destinada a formação de uma imagem institucional ecologicamente amigável.

A metodologia utilizada baseou-se em sete categorias para qualificar os rótulos dos produtos. Uma delas diz respeito a incerteza transmitida pelas mensagens, ou seja, informações superficiais ausentes de um significado claro. Por exemplo: não tóxico (água pode ser tóxico); natural (arsênio é natural); e verde. Foi a categoria que mais teve incidências de produtos brasileiros: 46% dos rótulo analisados.

O estudo, publicado em setembro do ano passado na revista Ideia Sustentável, ainda é atual e vale a pena ser consultado por quem se interessa pelo tema. De certa forma, é uma fotografia de como anda a relação de confiança (de uma parte) e de respeito (de outra) entre consumidores e empresas.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estado tem um ano para desapropriar áreas em nova UC

A implantação do Parque Estadual Restinga de Bertioga foi aprovada na terça-feira da última semana (26/10) pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) em reunião que decidiu também pela aprovação de outras duas Unidades de Conservação. A área total do parque de Bertioga – ou polígono de Bertioga – é de 9.264 hectares, além de um espaço de 58 hectares destinado a uma Área de Relevante Interesse Ecológico, segundo a Fundação Florestal. 44 espécies de vegetais e 137 espécies de aves estarão legalmente preservadas pela medida. A Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, tem o prazo de um ano para realizar levantamento fundiário no polígono. Propriedades privadas inseridas nos limites do parque serão adquiridas pelo Estado. Uma das bandeiras levantadas por ambientalistas a favor da UC era justamente o impedimento a movimentos de especulação imobiliária em áreas de riquezas naturais.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Projeto final de UC em Bertioga vai a aprovação

Dando sequência ao processo de discussão em torno da criação de uma Unidade de Conservação na região de Bertioga, a Fundação Florestal, órgão da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de S. Paulo, receberá até o final desta semana (11 a 15/10) propostas para a implantação do projeto.
A data foi definida em Audiência Pública realizada na última quinta-feira (7/10) em Bertioga, evento que reuniu cerca de 300 participantes.

A ideia é que possam ser contemplados o maior número de contribuições, vindas de diferentes partes da sociedade civil. Elas serão analisadas por um grupo de técnicos, que definirá o documento final a ser enviado ao em formato de Decreto para a assinatura do governador do Estado de S. Paulo Alberto Goldman.

Uma vez aprovado, será dado encaminhamento ao início das operações de gestão da futura UC, que está enquadrada no modelo de parque (proteção integral), denominado Parque Estadual Restinga de Bertioga.

O tamanho estimado é de 8 mil hectares, a mesma área do Parque Estadual da Cantareira, o equivalente a 51 parques do Ibirapuera, em São Paulo.

A importância da criação de uma UC se deve ao fato de que a região que abrange as praias de Bertioga, Riviera de São Lourenço e Itaguaré possui áreas intocadas e preservadas de Mata Atlântica: 98% da restinga que não foi destruída na Baixada Santista está no polígono.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

SP e as bikes

Deu no jornal Metro de hoje: "Promessas de ciclovias em SP não saem do papel". Plano da prefeitura prevê 100 kms até 2012, mas até agora só 3 km foram construídos.

O governo municipal anunciou no ano passado que a bicicleta seria tratada como meio de transporte tão importante quanto os demais. E o que se vê é a criação de ciclofaixas, que podem ser utilizadas somente aos domingos.

Em contrapartida, o Movimento Nossa São Paulo entregou hoje à Câmara dos Vereadores proposta para construir 500 km de ciclovias que se integram com o transporte público na cidade.

Em tempos de extrema poluição atmosférica, trânsito caótico, ônibus e metrôs abarrotados, há dúvida de que a bike seja uma ótima opção? Não. Mas é preciso suporte do poder público.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Marina Silva: Carta aos empresários

A agência de notícias ambientais Envolverde organizou seminário em parceria com a revista Carta Capital na manhã desta segunda-feira, 12 de abril, no teatro TUCA, em São Paulo. Com o tema “Transição para uma economia de baixo carbono”, teve como convidada de destaque a ex-ministra, atual senadora pelo PV e candidata a pré-presidência Marina Silva. O discurso apresentado por ela mostra claramente um alinhamento com a elite empresarial do país. Marina, que tem como vice o presidente da Natura, Guilherme Leal, afirma que para o Brasil chegar a um novo modelo de desenvolvimento é necessário engajamento conjunto da sociedade com as empresas. Ao utilizar o termo movimentos sociais, faz questão de ressaltar que se refere exclusivamente às ONG´s, que em 90% dos casos são financiadas pela iniciativa privada, isso quando não são “braços-direitos” assumidos. Marina não perdeu a chance de criticar indiretamente os projetos políticos do PT e do PSDB. Deve-se levar em conta que grande parte da platéia, formada por estudantes e jornalistas especializados, constitui eleitorado da ex-ministra.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Fórum pulverizado para mais de vinte países

Por Pedro Martins

A largada do Fórum Social Mundial 2010 foi dada em Porto Alegre, em janeiro. Ali foi só o começo de uma série de eventos pulverizados ao redor do mundo – 41 programados, no total -, que têm por objetivo comum justamente fortalecer a troca de experiências ultra-fronteiriças de resistência ao atual sistema econômico predominante.

Como eu mencionei no primeiro artigo, trata-se de uma estratégia que gerou alguma controvérsia no interior do processo. Muita gente teve a sensação de que a coisa estava um pouco desarticulada. Um dos principais pensadores do Fórum, o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, em entrevista à agência de notícias especializada Terramérica corrobora essa impressão coletiva. “Parte da população que simpatiza com o FSM não pôde compreender o sentido de um Fórum descentralizado, que se desenvolve em cerca de quarenta atividades ao longo do ano, sendo que a de Porto Alegre foi apenas a primeira”, afirmou ele.

Na opinião do teórico, a pulverização de encontros não significa, todavia, um enfraquecimento do movimento. Muito pelo contrário. Segundo Souza Santos, o Fórum tem uma capacidade peculiar de estar constantemente se reinventando. “Os que pensavam que o FSM tinha perdido vigor, obviamente descobriram-se, mais uma vez, enganados”.

Ainda a respeito dessa variedade de locais, é engraçado notar que ao conversar com alguns amigos que trabalham em ONG´s e participam ativamente do Fórum cada um deles falava: “Não...porque o Fórum mesmo foi em tal lugar”, querendo dizer que o néctar do evento estava concentrado no referido local.

Um desses comentários se referiu à Bahia, o que, mapeando as notícias de cobertura do evento, parece fazer bastante sentido. Salvador articulou e formalizou proposta para receber o Fórum Social Mundial de 2013, edição que vem depois de Dakar, na África. Milhares de pessoas saíram às ruas em passeata na capital baiana no fechamento do evento que teve como tema central “Crise e oportunidades”, com debates teóricos propondo alternativas ao modo de produção capitalista.

Juntas, a capital gaúcha e a cidade do Pelourinho reuniram mais de 30 mil inscritos que participaram em mais de mil atividades – auto-gestionadas e organizadas pelo comitê central. Em Porto Alegre, 15% dos participantes eram estrangeiros, vindos de 39 países, alguns dos quais irão abrigar os fóruns ao longo de todo o ano de 2010.

Na Espanha, por exemplo, já foram dois eventos: um em Madri e outro na Catalunha. Esse último, de acordo com reportagens, reafirmou a identidade de um povo, uma cultura, que luta por reconhecimento nas últimas décadas. Em Tóquio, Japão, foram mais de 300 participantes no dia 24 de janeiro. Para o fórum de Detroit (EUA), que acontece em junho, espera-se 20.000 pessoas, incluindo a participação de populações indígenas, de acordo com um dos organizadores, presente em Porto Alegre.

Por fim, seria bom mesmo que cada um que participou do Fórum em uma das várias cidades, afirme: “O fórum mesmo foi aqui”, como quem diz: “Fizemos a nossa parte”. Mas ainda resta a dúvida, que transpassou os três últimos artigos deste blog: de que forma as novidades no formato vão se traduzir em uma agenda comum de reivindicações para o mundo prático onde ocorrem as lutas sociais?