segunda-feira, 14 de abril de 2014
Uma nova ética para a governança ambiental
quarta-feira, 7 de março de 2012
Código Florestal, o abacaxi da Rio+20

O atual relator, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), conhecido por laços com o agronegócio teve a pachorra de sugerir modificações que remetem o documento ao tom preocupante similar ao que Aldo Rebelo (PT) produziu no mesmo fórum no ano passado. Rebelo causou indignação por sugerir pontos polêmicos, tais como a anistia a desmatadores.
Agora, depois de voltar do Senado com pequenas alterações que aliviavam minimamente a interferência do petista, Piau propõe a retirada, por exemplo, de artigo que prevê corte de crédito a produtores que não regularizarem as terras em cinco anos. Um retrocesso ou, nas palavras do jornalista e consultor ambiental Lúcio Martins Costa, um “verdadeiro escárnio sobre o bom senso que havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados”.
Enquanto isso, os preparativos para o encontro internacional que acontecerá na cidade maravilhosa entre os dias 13 e 22 de junho, estão sendo encaminhados. Estarão presentes aqui líderes do mundo inteiro, integrantes de movimentos sociais e ONG´s, especialistas, empresários etc. para discutir a qualidade e eficiência das políticas e acordos internacionais relativos ao meio ambiente. O secretário-geral da ONU da Rio+20, o chinês Sha Zukang, está no País e já avisou que o principal objetivo da conferência é colocar em prática as resoluções acordadas.
No ano passado, durante a COP-17, o secretário de Mudanças Climáticas do Ministério de Meio Ambiente, Eduardo Assad, admitiu que do jeito que está, o Código Florestal pode proporcionar aumento do desmatamento, o que contribui para níveis maiores de emissão de CO2 na atmosfera. Um dos dois principais temas da Rio+20 é a transição para uma economia verde, que pressupõe mecanismos para reduzir as emissões de carbono.
O governo brasileiro tem pressa em aprovar um novo Código, com os olhos na conferência internacional. Tem pressa também porque não quer prorrogar mais uma vez o prazo de vencimento (11 de abril) para aplicação de multas a produtores agrícolas que descumpriram regras fundiárias e ambientais. No entanto, será um grande papelão apresentar uma nova lei que se mostra totalmente contrária aos novos modelos de desenvolvimento que vem sendo propostos para o século XXI.
Foto: Celso Júnior/AE
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Sacolas plásticas: uma questão de educação
Muitos tiveram uma reação quase histérica à proibição. Argumentaram que é uma hipocrisia por parte do poder público, uma vez que os serviços de reciclagem ainda não são eficientes. Proibir as sacolas plásticas, na opinião desses, não resolveria nenhum problema ambiental.
Fato é que o uso indiscriminado do plástico é uma das principais fontes de contaminação em larga escala em todo o Planeta. O tempo de decomposição desses produtos na natureza é alto, chegando a cem anos ou mais. Nos oceanos, pesquisadores já identificaram áreas gigantes de concentração de produtos derivados do plástico – embalagens, brinquedos, sacolas, etc – que ficam submersas e acabam sendo consumidas por animais do habitat marinho.

Mas e daí? Qual o impacto da poluição dos ecossistemas na vida das pessoas? Por que se preocupar? Qual a relação desses problemas com o consumo das sacolas plásticas?
Não são perguntas meramente retóricas. São questionamentos necessários para entender que as interações entre os seres vivos e desses com o Planeta seguem uma lógica de interdependência. Quando há excessos, o resultado é o desequilíbrio. É preciso que cidadãos, políticos, empresários e profissionais de todas as áreas adotem um pensamento sistêmico para fazer frente aos principais problemas ambientais da época atual, que não são poucos e o lixo é um deles.
Aqui entra o papel da educação. Principalmente para as crianças, que desde cedo deveriam entrar em contato com um tipo de conhecimento interdisciplinar abordando questões ecológicas e sociais, mas também para jovens e adultos. Pode-se estender ainda mais o conceito e adentrar no que Fritjof Capra classificou como alfabetização ecológica, ou seja, a capacidade de compreender os princípios básicos da ecologia, aplicando-os na construção de comunidades sustentáveis. Um novo padrão de pensamento que entenda as partes de um sistema como resultantes de diferentes processos é o eixo fundamental dessa alfabetização.
Trazendo a ideia para a prática, aparecem algumas perguntas: 1) de que maneira a população foi envolvida no processo de discussão para retirar as sacolas plásticas dos mercados? 2) que parte da população tinha referências para construir um debate de qualidade? 3) quantos compreenderam de verdade que o que está em jogo não é o conforto ou desconforto de levar as compras em um tipo ou outro de embalagem, mas, sim, o problema de uma sociedade que consome plástico em excesso?
De acordo com o instituto Datafolha, para 57% dos paulistanos o fim das sacolas plásticas nos super-mercados é uma ação positiva. A pesquisa afirma ainda que a aceitação foi maior entre pessoas de renda e escolaridade mais elevada. Essa é uma informação relevante. Provavelmente a escolaridade influi no entendimento racional a respeito do problema. De novo, a questão da educação perpassando a discussão. A quantas anda a implementação de programas de educação ambiental nas escolas públicas Brasil afora? Os professores da rede pública de ensino estão capacitados a ensinar aos alunos conceitos básicos de ecologia, cidadania e respeito ao meio ambiente?
É possível ainda que aqueles que tenham pouca informação sobre o assunto tenham problemas na hora de eliminar o lixo, por exemplo, tendo em vista que as sacolas plásticas servem de recipiente principalmente para o material orgânico. Isso pode gerar um novo problema, que é a disposição inadequada dos resíduos, dificultando o trabalho de coleta por parte dos lixeiros.
Na opinião do jornalista ambiental, editor da revista eletrônica Envolverde, Dal Marcondes, a medida de proibição só seria benéfica ao meio ambiente se viesse junto de uma reestruturação do sistema de coleta seletiva nas cidades. Para ele, seria necessário “mudar a relação cultural que o cidadão tem com seus resíduos, fazendo com que cada um se responsabilize de forma ativa com o descarte adequado dos resíduos”.
Diante disso, valem algumas considerações: 1) tirar as sacolas plásticas dos supermercados é algo bem vindo pois irá diminuir a quantidade no ambiente na escala dos milhões – são 13 bilhões de sacolinhas consumidas em média por ano no Brasil; 2) a medida é bem vinda também pois pode gerar um debate que estimule a conscientização da população; 3) por outro lado, o governo não pode esconder a discussão que realmente importa: políticas públicas para os resíduos sólidos; 4) é fundamental investir em educação, para que as leis que dizem respeito à sustentabilidade das comunidades sejam entendidas e possam ser discutidas; 5) o consumidor brasileiro tem que parar de se esconder atrás da soberania dos seus direitos adquiridos e entender que os padrões de consumo individuais também são parte da crise ecológica.
domingo, 21 de agosto de 2011
Movimento contra Belo Monte articula passeatas em diferentes países
Rio de Janeiro, Brasília, Belém e outras dez cidades também participaram do chamado Ato Mundial Contra Belo Monte, encabeçado por rede de ambientalistas de diferentes países.
Protestos do mesmo tipo estão marcados para acontecer nesta segunda-feira, 22, em 16 países. Dentre eles: Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Noruega e Turquia.
A passeata da capital paulista foi puxada por integrantes das comunidades indígenas Kapalo, Kamayurá e Xavante. Enquanto entoavam cantos, faziam danças, tocavam instrumentos e fumavam cachimbo, aproveitavam para dar pauladas carregadas de raiva e tocar fogo em dois bonecos de palha.
Quem estava representado ali? Principalmente a presidente Dilma, Roussef , que está virando as costas para o principal conflito sócio-ambiental do país, e o presidente do Ibama, Kurt Trennepohl. Mas também toda a classe política e empresarial interessada nos resultados financeiros que a obra trará no curto prazo.
Para os organizadores da manifestação em São Paulo, é importante que seja criada uma rede mundial da sociedade civil contra a execução do projeto.
Interessados podem obter mais informações pelo site www.brasilpelasflorestas.blogspot.com.
Fotos: Pedro Martins
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Passeata reúne 500 contra Belo Monte e Código Florestal em São Paulo
sexta-feira, 18 de março de 2011
Bem vindo ao futuro: transite se for capaz!
7 milhões de veículos. Eis a nova cifra da metrópole de São Paulo dentro de poucas semanas, de acordo com dados do Detran-SP. Viva, o progresso chegou! As montadoras estão felizes da vida, batendo recordes de venda. A economia, pujante e crescente. Os consumidores, realizados.
Mas a cidade trava cada vez mais. O recorde desse ano, até o momento, foi de
De fato, a impressão que se tem é que a coisa piora dia após dia. Ruas antes tranqüilas agora amanhecem intransitáveis.
Quais as conseqüências para o meio ambiente e para a qualidade de vida das pessoas? O uso que se faz dos automóveis é racional?
Uma extensa lista de estudos científicos apresenta relação entre a poluição das cidades, em grande parte gerada por motorizados, e doenças cardiorespiratórias. Um deles, recentemente publicado pela universidade belga Hasselt University, mostra que para quem tem predisposição genética, a exposição à poluição pode causar um infarto em poucas horas. Ou seja, respirar nas cidades grandes é arriscado.
Sem dúvidas, o sistema de transporte público ainda deixa a desejar. Mas há uma certa comodidade que parece imperar entre os indivíduos quando se fala em usar menos o carro, por exemplo. Vejam bem, USAR MENOS. Pelo menos aqui, ninguém está falando – AINDA – em não usar, mas sim em fazer uso consciente, menos vezes por semana, dando carona a amigos, andando trechos menores, enfim.
A moto talvez nem tanto, mas o carro é o símbolo máximo do individualismo na sociedade de consumo. A capital paulistana tem um índice de veículos por habitante maior do que Japão, Estados Unidos e Itália.
O irônico é que uma metrópole como São Paulo é movida a pressa. Afinal, tempo é dinheiro. Mas então, por que há tanta lentidão no ato de se locomover? Quanto isso representa de perda de produtividade?
Chega a ser triste ver tanta gente comemorando esses números como se significassem um avanço. Enquanto há iniciativas diversas no mundo visando incentivar o uso de transportes alternativos, o Brasil segue inserido dentro de um paradigma ultrapassado, que privilegia o transporte privado ao invés do público.
Transite se for capaz...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Seminário dá início às atividades de grupo de profissionais de sustentabilidade
143 pessoas estiveram presentes no campus da Vila Mariana da faculdade ESPM (SP) para a realização do seminário que marcou o início das atividades da recém-formada Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, no dia 21 de fevereiro. Um dos objetivos do grupo é representar formalmente os profissionais que atuam no campo da sustentabilidade. Para tanto, estão previstas diversas ações para 2011, dentre as quais se destaca uma pesquisa para mapear o perfil de quem atua nesse mercado. O encontro teve uma roda de debates composta por: Martin Bernard, sócio da Amrop Panelli Motta Cabrera, e Maria Luiza Pinto, diretora executiva de desenvolvimento sustentável do banco Santander, mediada pela jornalista especializada da revista Exame Ana Luiza Herzog.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Informação ou maquiagem?
No intuito de desvendar tais questões, o instituto de pesquisas Market Anylises fez um levantamento de publicidades veiculadas nas revistas Veja e Exame. De 2009 para 2010, houve um crescimento, de 135 para 168 anúncios, que abordavam Responsabilidade Sócio Empresarial.
Também foi realizada uma pesquisa em 15 grandes estabelecimentos, que incluiu: farmácias (2), supermercados, (2) livrarias (2), multicategorias (4), utilitários domésticos (2), brinquedos (1) e vestuário (2).
Em síntese, trata-se de uma análise que se propôs a identificar até que ponto as informações contidas nos produtos não seriam somente greenwashing. Em outras palavras: uma maquiagem verde, destinada a formação de uma imagem institucional ecologicamente amigável.
A metodologia utilizada baseou-se em sete categorias para qualificar os rótulos dos produtos. Uma delas diz respeito a incerteza transmitida pelas mensagens, ou seja, informações superficiais ausentes de um significado claro. Por exemplo: não tóxico (água pode ser tóxico); natural (arsênio é natural); e verde. Foi a categoria que mais teve incidências de produtos brasileiros: 46% dos rótulo analisados.
O estudo, publicado em setembro do ano passado na revista Ideia Sustentável, ainda é atual e vale a pena ser consultado por quem se interessa pelo tema. De certa forma, é uma fotografia de como anda a relação de confiança (de uma parte) e de respeito (de outra) entre consumidores e empresas.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Estado tem um ano para desapropriar áreas em nova UC
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Projeto final de UC em Bertioga vai a aprovação
A data foi definida em Audiência Pública realizada na última quinta-feira (7/10) em Bertioga, evento que reuniu cerca de 300 participantes.
A ideia é que possam ser contemplados o maior número de contribuições, vindas de diferentes partes da sociedade civil. Elas serão analisadas por um grupo de técnicos, que definirá o documento final a ser enviado ao em formato de Decreto para a assinatura do governador do Estado de S. Paulo Alberto Goldman.
Uma vez aprovado, será dado encaminhamento ao início das operações de gestão da futura UC, que está enquadrada no modelo de parque (proteção integral), denominado Parque Estadual Restinga de Bertioga.
O tamanho estimado é de 8 mil hectares, a mesma área do Parque Estadual da Cantareira, o equivalente a 51 parques do Ibirapuera, em São Paulo.
A importância da criação de uma UC se deve ao fato de que a região que abrange as praias de Bertioga, Riviera de São Lourenço e Itaguaré possui áreas intocadas e preservadas de Mata Atlântica: 98% da restinga que não foi destruída na Baixada Santista está no polígono.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
SP e as bikes
O governo municipal anunciou no ano passado que a bicicleta seria tratada como meio de transporte tão importante quanto os demais. E o que se vê é a criação de ciclofaixas, que podem ser utilizadas somente aos domingos.
Em contrapartida, o Movimento Nossa São Paulo entregou hoje à Câmara dos Vereadores proposta para construir 500 km de ciclovias que se integram com o transporte público na cidade.
Em tempos de extrema poluição atmosférica, trânsito caótico, ônibus e metrôs abarrotados, há dúvida de que a bike seja uma ótima opção? Não. Mas é preciso suporte do poder público.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Marina Silva: Carta aos empresários
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O Fórum pulverizado para mais de vinte países
Como eu mencionei no primeiro artigo, trata-se de uma estratégia que gerou alguma controvérsia no interior do processo. Muita gente teve a sensação de que a coisa estava um pouco desarticulada. Um dos principais pensadores do Fórum, o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, em entrevista à agência de notícias especializada Terramérica corrobora essa impressão coletiva. “Parte da população que simpatiza com o FSM não pôde compreender o sentido de um Fórum descentralizado, que se desenvolve em cerca de quarenta atividades ao longo do ano, sendo que a de Porto Alegre foi apenas a primeira”, afirmou ele.
Na opinião do teórico, a pulverização de encontros não significa, todavia, um enfraquecimento do movimento. Muito pelo contrário. Segundo Souza Santos, o Fórum tem uma capacidade peculiar de estar constantemente se reinventando. “Os que pensavam que o FSM tinha perdido vigor, obviamente descobriram-se, mais uma vez, enganados”.
Ainda a respeito dessa variedade de locais, é engraçado notar que ao conversar com alguns amigos que trabalham em ONG´s e participam ativamente do Fórum cada um deles falava: “Não...porque o Fórum mesmo foi em tal lugar”, querendo dizer que o néctar do evento estava concentrado no referido local.
Um desses comentários se referiu à Bahia, o que, mapeando as notícias de cobertura do evento, parece fazer bastante sentido. Salvador articulou e formalizou proposta para receber o Fórum Social Mundial de 2013, edição que vem depois de Dakar, na África. Milhares de pessoas saíram às ruas em passeata na capital baiana no fechamento do evento que teve como tema central “Crise e oportunidades”, com debates teóricos propondo alternativas ao modo de produção capitalista.
Juntas, a capital gaúcha e a cidade do Pelourinho reuniram mais de 30 mil inscritos que participaram em mais de mil atividades – auto-gestionadas e organizadas pelo comitê central. Em Porto Alegre, 15% dos participantes eram estrangeiros, vindos de 39 países, alguns dos quais irão abrigar os fóruns ao longo de todo o ano de 2010.
Na Espanha, por exemplo, já foram dois eventos: um em Madri e outro na Catalunha. Esse último, de acordo com reportagens, reafirmou a identidade de um povo, uma cultura, que luta por reconhecimento nas últimas décadas. Em Tóquio, Japão, foram mais de 300 participantes no dia 24 de janeiro. Para o fórum de Detroit (EUA), que acontece em junho, espera-se 20.000 pessoas, incluindo a participação de populações indígenas, de acordo com um dos organizadores, presente em Porto Alegre.
Por fim, seria bom mesmo que cada um que participou do Fórum em uma das várias cidades, afirme: “O fórum mesmo foi aqui”, como quem diz: “Fizemos a nossa parte”. Mas ainda resta a dúvida, que transpassou os três últimos artigos deste blog: de que forma as novidades no formato vão se traduzir em uma agenda comum de reivindicações para o mundo prático onde ocorrem as lutas sociais?
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O Fórum e a Mídia. Mídia para o Fórum?
“O Estado está sendo seqüestrado pelo capital financeiro”. Foi com declarações desse tom que o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile construiu seu discurso no painel intitulado “Organizações do Estado e do Poder Político, realizado no dia 28. Qual é o modelo de Estado que queremos no século XXI? Que socialismo é possível construir? Essas eram algumas das perguntas-chaves formuladas pelos participantes do Fórum Social Mundial 2010.
No ano passado, na edição de Belém, houve grande entusiasmo dentro do movimento alter-mundista ao enxergar na primeira grande crise econômica do século uma oportunidade para o fortalecimento de correntes de pensamento pós-capitalistas, como relembra o jornalista Antônio Martins em artigo disponível na internet. “Parte da sociedade civil sonhou alto. A única hipótese humanizadora (de alternativa ao colapso dos mercados financeiros) seria uma mobilização inédita das sociedades, com milhões de pessoas nas ruas contra a tirania dos mercados”.
O que aconteceu, na prática, foi bastante diferente. Grandes corporações espernearam feito crianças mimadas para os governos a fim de obter crédito para continuar realizando operações lucrativas. Foram atendidas. Milhares de funcionários foram e continuam sendo demitidos. A recessão econômica veio, abalou as estruturas do sistema, mas esse mesmo sistema conseguiu encontrar formas de adaptação.
Agora, o temor é por uma nova queda, seguindo o que teóricos chamam de crise em “W”. Ou seja, cair para subir e cair em seguida novamente, principalmente devido a formação de novas bolhas em diferentes setores da economia. Um risco iminente é o alto preço de commodities como soja, café, açúcar e suco de laranja: alimentos negociados como mercadoria. Especula-se a respeito da possibilidade de uma nova crise similar a de 2008, quando populações de países africanos sofreram por falta de comida, uma vez que o preço dos produtos impossibilitava as importações.
Os jornais estampavam nas capas cidadãos fazendo filas enormes para pegar arroz, que era fornecido em rações. Imagens daquelas chocantes e marcantes que fazem pensar o que os donos do poder estão fazendo com tanto dinheiro. Onde está sendo investido tanto capital? Para o próprio estado, talvez, por meio dos Bancos Centrais. Enfim, foram alguns tópicos debatidos durante o Fórum.
Mídia e Movimentos Sociais
Dessa vez, a grande imprensa pegou um pouco mais leve, deixando de estigmatizar o Fórum, mas continuou se valendo de declarações pontuais para construir discursos (matérias e editoriais) contrários a ele. Bom, nenhuma novidade, portanto. A batalha de opiniões também faz parte de uma democracia. A impressão que se tem, ao conversar com pessoas que não acompanham o processo do Fórum, é que elas recebem poucas informações a respeito por meio dos “jornalões” aos quais estão acostumadas (viciadas?) a ler.
Apesar de uma constatação óbvia essa de que a cobertura foi enviesada e distorce a realidade dos que estão envolvidos em projetos que visem transformar em menor ou maior grau a ordem vigente do sistema, algumas chamadas merecem ser comentadas.
Por exemplo: “Ex-ídolo, Obama vira alvo no Fórum” (Folha de S. Paulo, 27/01/10), que precede texto no qual a repórter afirma – baseada em quê? – que o presidente dos Estados Unidos foi colocado na posição de um líder salvador pelos militantes do Fórum. Será mesmo? Até onde eu sei nenhum socialista com um mínimo de informação nunca acreditou no projeto político de Barack Obama como sendo “A grande esperança”, até porque sabe-se das relações político-econômicas que ele tinha antes de ser eleito. Muito forçado colocar isso como verdade.
Ou então: “Para Erundina, controle da mídia é modernização” (O Estado de S. Paulo, 30/01/10). A atual Deputada Federal pelo PSB apóia campanhas da sociedade a favor da democratização da mídia há algum tempo. Valendo-se desse fato o autor do texto pretende o seguinte efeito: distorcer as reais intenções políticas de Erundina por meio de uma mudança de significado da palavra “controle”.
Uma rápida contextualização para explicar:
Diversas entidades profissionais ligadas ao mercado da comunicação vêm encampando nos últimos anos uma luta que defende a utilização da informação como algo mais além de uma mercadoria, no caso, um direito de todo o cidadão. Como os principais veículos formadores de opinião do país estão na mão de menos de dez famílias, é fácil constatar que os interesses atendidos serão os desse grupo minoritário. Diante disso, foi formado o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, um espaço de articulação que culminou na I Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro do ano passado.
A palavra “controle”, nessa situação, vem da expressão controle social, um termo advindo da sociologia, que remete aos acordos necessários entre a sociedade e o Estado para que haja um funcionamento coeso dentro de determinadas normas que visem o bem estar da população de um modo geral. Controle social da mídia é nada mais do que o estabelecimento de premissas para que emissoras de televisão, rádio, grandes jornais e outros meios ajam de acordo com um interesse mais amplo.
Caso contrário, dá-se margem para determinados tipos de coberturas tendenciosas, como é o caso do que acontece com o MST, alvo constante de manchetes que discriminam um movimento legítimo de um grupo social: a luta por terra.
A pauta do momento é a invasão às fazendas de laranja da empresa Cutrale, que, diga-se de passagem, são áreas públicas. Por conta disso e de outros acontecimentos, como a perseguição política a líderes do movimento, houve um ato durante o Fórum, realizado na Assembléia Legislativa de Porto Alegre. Estiveram presentes militantes da causa campesina em países da América Latina, como Honduras, Equador e Bolívia, que também sofrem do mesmo problema ocorrido no Brasil.
Diante do que foi colocado aqui, no mínimo dá para concluir a importância de buscar outras fontes de informação, alternativas aos veículos tradicionais, sem desmerecimento algum para estes, muito pelo contrário, afinal são feitos por gente com vasto repertório intelectual. Não necessariamente para concordar. Mas pelo menos para entender e quem sabe elevar a qualidade dos debates.
domingo, 31 de janeiro de 2010
O Fórum e as estratégias de organização
Isso deu o que falar. E é com um resumo dessa discussão e algumas observações pessoais que vou começar esse artigo, o primeiro numa série de três textos que serão publicados durante a semana.
Quando cheguei, já no terceiro dia, fui direto ao núcleo cerebral dos debates: a Usina do Gasômetro. Lá estava sendo realizado um painel com o tema “Sustentabilidade”, que reunia lideranças de movimentos sociais do Brasil, Chile e Peru. Tinha bastante gente. Consegui acompanhar pois estava começando. Uma das falas mais contundentes, para mim, foi a do peruano Handerson Rengifo, que num discurso muito simples afirmava que “os governos estão tirando os recursos dos povos indígenas para entregar na mão de multinacionais”.
Rengifo, que representava uma associação em prol da preservação dos direitos dos índios na Amazônia do Peru, apresentou alguns dados de problemas sociais existentes no país: 132 conflitos sócio-ambientais em 2009; 600 líderes comunitários denunciados por órgãos de segurança.
Ilhas
Dados da organização do evento dão conta de que 27% do público era formado por jovens – até 27 anos. É bem provável que eles estavam praticamente todos no Acampamento da Juventude, em Novo Hamburgo, há alguns quilômetros da capital, “isolados” e “escanteados”, como observou o jornalista editor da Revista Fórum, Renato Rovai em seu blog: http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/default.asp#8003.
Pelo menos foi diferente de 2008, ano onde, a grosso modo, qualquer cidade do país poderia fazer um evento dizendo fazer parte do FSM. Não houve qualquer direcionamento. Ao meu ver, o fórum daquele ano não aconteceu efetivamente.
Essa impressão de que a coisa ficou muito fragmentada era compartilhada por um monte de gente com boa bagagem no processo para opinar. Como por exemplo a geógrafa Clarice, que conversou comigo durante a reunião da Coordenação do FSM + 10, onde se discutiam estratégias de articulação para a COP-16 (novembro, México). “Acho que há um risco de enfraquecer o movimento com essa estratégia, mas, por outro lado, é uma experiência que faz parte do processo”, comentou.
Mais do que um sentimento generalizado, a crítica ficou registrada na plenária de encerramento por meio da fala de diferentes participantes. Um deles apontou para a necessidade de se encontrar um eixo único de luta, de modo que as reivindicações para um mundo pós-capitalista fiquem mais próximas de se tornar realidades.
De fato, a quantidade de idéias, informações e atividades ficaram um pouco sem coesão, sem um elo de ligação. Tudo bem, trata-se de um processo em construção, mas organizar o caos será bem vindo em prol do movimento esquerdista que ganha cada vez mais força, principalmente na América Latina.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Rio + 20, vinte anos depois...
Por Pedro Martins
O Brasil fará parte novamente da agenda ambiental internacional em 2012 com a Rio +
A Rio + 20 marca duas décadas da Rio-92 (ou Eco-92), evento que impulsionou importantes medidas do governo e da sociedade na luta a favor do desenvolvimento sustentável. Além disso, foi um momento coletivo de tomada de consciência acerca dos problemas que o homem causa ao meio ambiente. Ali estiveram presentes centenas de representantes políticos de diferentes nações nas mesas de debates.
Vinte anos depois, então, o Brasil voltará ao centro das discussões sendo palco para um econtro que reunirá líderes - governamentais e da sociedade - de todo o mundo.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Terceiro setor contribui com evento parlamentar
Representantes do movimento ambientalista da Baixada Santista e outras entidades da sociedade civil organizada participaram nessa sexta-feira, 18/11, do primeiro encontro feito no litoral pela Frente Parlamentar Ambientalista de Vereadores do Brasil. Sentaram à mesa as seguintes organizações: Caaoby, representada por Fábio Dib; Instituto Ecofaxina, com a presença de Willian Schepis e também o Movimento Nacional de Catadores, que teve explanação do líder Roberto Laureano.
Todos eles trataram de problemas ambientais que dizem respeito à região metropolitana que abrange os municípios do litoral centro-sul de São Paulo.
Dib lembrou da importância da participação dos cidadãos na criação de leis e normas, algo a ser feito por meio de conselhos deliberativos e normativos. O Consema, por exemplo, é um deles, do qual a Caaoby faz parte. “O interesse público ambiental tem que estar presente em toda a sociedade”, disse ele.
Resíduos sólidos
A degradação escandalosa da área conhecida como Dique da Vila Gilda, na Zona Noroeste de Santos, é o foco do trabalho da Ecofaxina, uma ONG recém formada por biólogos da Universidade Santa Cecília. “Aquilo é uma negligência do poder público”, criticou. Resíduos sólidos também são objeto de ação para o Movimento Nacional de Catadores, mais precisamente objeto de trabalho. “Os catadores tem muito a contribuir para o país”, afirmou Laureano, que mostrou de que forma o lixo faz parte de uma cadeia produtiva que gera renda e emprego.
A frente de vereadores é um braço de uma articulação de âmbito nacional, que tem por objetivo fortalecer o debate a respeito das políticas ambientais do país. Para o vereador Fábio Alexandre (PSB), principal incentivador da idéia na região, um dos ganchos do evento é “diminuir cada vez mais a submissão do poder legislativo ao executivo”, além de “qualificar parte dos vereadores sobre os temas ambientais e suas transversalidades”.
Os parlamentares convidados para a cerimônia de abertura do evento ausentaram-se dos debates temáticos.
Veja também:
www.frenteambientalista.org
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Aquecimento global, uma bobagem?
Há um embate entre dois grupos: os que defendem que as atividades antrópicas sejam responsáveis pelo aquecimento global (aqui estão os cientistas reunidos pela ONU no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) e aqueles que refutam a metodologia utilizada para levantar dados que apontam na direção de uma possível aceleração no aumento da temperatura (pesquisadores que afirmam estarem sofrendo boicotes para publicar opiniões contrárias).
Vivemos inundados de informação. Muitas vezes acabamos desinformados. Em poucas linhas, vale lembrar que o dióxido de carbono é responsável pelo efeito estufa, que por si só é um fenômeno essencial para manter a temperatura da terra em ação conjunta com a radiação solar. A questão levantada é se a quantidade de toneladas mandadas a cada segundo para a atmosfera pelos processos industriais, emissão de automóveis, desmatamento, pecuária, etc, não estaria chegando a níveis exorbitantes.
E para além de uma discussão quase técnica, seria bom que ambos os grupos descortinassem para o público quais são os interesses políticos reais por detrás dos vieses que resolveram adotar.
A COP-15, mesmo sendo comandado por figurinhas marcadas (ONU, EUA, China, Brasil, etc), faz parte de um contexto muito mais amplo, que é o ambientalismo, um movimento social surgido justamente para questionar valores de uma sociedade capitalista. Estudos acerca da sociedade também são importantes, aqui, para entender que existem diferentes linhas de ambientalismo vigentes.
Resumindo, uma pergunta: qual é o engajamento propositivo que queremos?
Links:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/12/11/nao-existe-aquecimento-global-diz-representante-da-omm-na-america-do-sul.jhtm
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/afinal_ha_um_metodo_confiavel_para_se_avaliar_os_niveis_atmosfericos_de_dioxido_de_carbono_.html
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Movimento em luto
Seriam esses ciclistas invisíveis? Sim, parece que são, ao menos aos olhos de uma sociedade moderna cega, que vê, mas não enxerga. E que sabe dos problemas, mas fica de braços cruzados, esperando algum messias qualquer trazer soluções viáveis.

Foto 1: http://www.flickr.com/photos/panopticosp/2544365579/
Foto 2: http://www.flickr.com/photos/fotojornalistaandersonbarbosa/2880518445/